Plano Nacional de Banda Larga: Meta possível ou utopia? Parte II

 AS PROPOSTAS DO PLANO NACIONAL DE BANDA LARGA.

Com base no relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre as 08 metas do milênio para diminuir os efeitos das desigualdades no mundo, nos anos de 2003 e 2005 a entidade acrescentou a internet como fator essencial para o alcance de tais metas.

Mais recentemente, alinhado com esse objetivo, a ONU propôs uma discussão sobre o papel da Internet nesse contexto, na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (WSIS – World Summit on the Information Society), que se realizou em duas fases – uma primeira em Genebra (2003), e a segunda em Tunis (2005), e traçou metas ainda mais ambiciosas relativas às tecnologias da informação e de comunicação – estender a Internet a todas as localidades do mundo até 2015. (Sumário Executivo).

Todavia, no que se refere ao Brasil, o próprio relatório afirma o contexto desigual da sociedade brasileira, isso faz com que as metas sejam ainda mais árduas.

É importante ressaltar que a difusão da banda larga não ocorre de maneira homogênea pela população brasileira, devido, principalmente, às desigualdades socioeconômicas presentes no país. (Sumário Executivo). 

As revoluções tecnológicas são nitidamente efeitos da globalização, entretanto vale ressaltar qual é a globalização promovida pelo Governo Federal. Na obra “Por uma outra Globalização” Milton Santos apresenta três diferentes visões da globalização e seus efeitos sob a sociedade contemporânea. 

MILTON SANTOS E OS TRÊS MUNDOS.

O geógrafo Milton Santos divide os efeitos da globalização em três mundos. O primeiro trata-se da globalização como fábula, no qual os efeitos do desenvolvimento tecnológico causam, cada vez mais, maiores desigualdades na sociedade, não há a aproximação sugerida pelo conceito de Aldeia Global do sociólogo canadense Marshall McLuhan, pelo contrário, nessa visão para Milton Santos a globalização aprofunda as desigualdades e afasta os relacionamentos.

Fala-se, por exemplo, em aldeia global para fazer crer que a difusão instantânea de notícias realmente informa as pessoas. A partir desse mito e do encurtamento das distâncias – para aqueles que realmente podem viajar – também se difunde a noção de tempo e espaço contraídos. É como se o mundo se houvesse tornado, para todos, ao alcance da mão. Um mercado avassalador dito global é apresentado como capaz de homogeneizar o planeta quando, na verdade, as diferenças locais são aprofundadas. (SANTOS, 2000, p. 18)

A segunda visão do mundo globalizado para Santos é perversa, pois todas as disparidades sociais aumentam gradativamente. Fatores essenciais para o desenvolvimento social, como a educação e o emprego, ficam cada vez mais carentes de atenção governamental. Para o autor tais efeitos surgem em decorrência de atos como a corrupção e egoísmo oriundos da globalização.

De fato, para a grande maior parte da humanidade a globalização está se impondo como uma fábrica de perversidades. O desemprego crescente torna-se crônico. A pobreza aumenta e as classes médias perdem em qualidade de vida. O salário médio tende a baixar. A fome e o desabrigo se generalizam em todos os continentes. Novas enfermidades como a SIDA se instalam e velhas doenças, supostamente extirpadas, fazem seu retorno triunfal. A mortalidade infantil permanece, a despeito dos progressos médicos e da informação. A educação de qualidade é cada vez mais inacessível. Alastram-se e aprofundam-se males espirituais e morais, como os egoísmos, os cinismos, a corrupção. (SANTOS, 2000, p. 19)

Por fim, Milton apresenta uma possibilidade de um mundo possível, no qual a globalização apresenta opções de desenvolvimento mais humano e benéfico para todos e não apenas para pequenos grupos. Para o autor é preciso utilizar de maneira sábia os avanços tecnológicos, além de alinhar os objetivos políticos e sociais.

Todavia, podemos pensar na construção de um outro mundo, mediante uma globalização mais humana. As bases materiais do período atual são, entre outras, a unicidade da técnica, a convergência dos momentos e o conhecimento do planeta. É nessas bases técnicas que o grande capital se apóia para construir a globalização perversa de que falamos acima. Mas, essas mesmas bases técnicas poderão servir a outros objetivos, se forem postas ao serviço de outros fundamentos sociais e políticos. (SANTOS, 2000, p. 20)

Ao unir as propostas do Plano Nacional de Banda Larga, as visões de globalização de Milton Santos e o contexto social no qual estamos inseridos o questionamento que é necessário seria: o plano nacional de banda larga é uma realidade possível ou mera utopia?

continua

  1. Seria possível a Utopia com diferenças culturais?
    Seria possível a Distopia com a forte crítica das mídias sociais?

    Lembramos que num lado as sociedades podem se comunicar mais rapidamente, de forma mais precisa, e com um número maior de pessoas. Mas quem gera o conteúdo é o problema. A mesma internet que transfere dados entre universidades é a mesma que incitou a revolução no Egito.

    A cultura de cada país acaba por segmentar-se, embora tenhamos um mundo digital, mesmo ele possui sua línguas, seus nichos e cultura. Podemos estar numa geração de conteúdo irrelevante no Youtube ao lermos os posts de QUALQUER vídeo sobre religião, ao mesmo tempo, doando para sociedades carentes pelo facebook.

    As pessoas ainda são influenciadas pelo seu meio geográfico, mas também pelo se “meio digital”, não nos distanciaremos dos nossos semelhantes, percebemos que a nossa opinião é compartilhada e contrariada fortemente na internet. Sua cultura hoje é mais ampla e consciente do mundo, temos hoje problemas sociais porque o mundo está em revolução cultural e política.

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Autor

Taís Oliveira

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