Imortais, ainda que por 15 minutos

A principal questão da filosofia é o medo da morte, da finitude. Ao longo dos séculos, pensadores tentam encontrar modos de conviver em harmonia com a mortalidade ou driblar a sensação de que vamos “acabar” a qualquer momento. Com a arte o homem alcança a sensação de continuidade. O valor artístico se mantém por inúmeras gerações preservando a memória do artista. Assim, ele nunca morre, nunca acaba.

As redes sociais, por vezes, também cumprem este papel, de perpetuar nossas idéias e levar nossos pensamentos para além do nosso controle. Uma frase de 140 caracteres que desperte interesse de seus seguidores (twitter) pode ser replicada ad infinitum. Na rede, todo usuário é analisado por seu público como um artista; pela descrição que escolhe, pelas fotos que seleciona e páginas ou comunidades que participa.

A vantagem das redes sociais e, talvez, um dos principais fatores que permitam sua continuidade é o crédito ao autor. Como observado pela jornalista Débora Costa e Silva em seu blogue, o Twitter e o Facebook mantém o que ela chama de código de ética informal. O tal código preserva o autor e a fonte, ou seja você sabe quem lançou a idéia inicialmente e  quem a replicou.

Exatamente esse crédito que nos permite a idéia de continuidade, de importância e de imortalidade (ainda que esta sensação dure 15 minutos). O que é impossível controlar, no entanto, é a imagem que vão fazer da gente.Um palavra solta, uma frase fora do contexto é o suficiente para ser amado ou odiado.

O ex-BBB Michel Turtchin escreve sobre isso em sua nova coluna no IG sobre a edição deste ano no programa. O que dá para saber sobre alguém só por uma foto? Nada, mas os julgamentos são instantâneos. O texto do cara é muito sensato e divertido, vale a pena ler.

Mais que expostos e sujeitos a julgamentos parciais, estamos acessíveis na rede. Mesmo que você não esteja na rede, pela rede pode ser fácil te encontrar. Nesta semana um amigo, repórter de turismo, recebeu uma ligação de uma leitora pedindo dicas para sua próxima viagem.

E por que as empresas se encantaram pelas redes sociais? Porque uma marca quer estar exposta, ser citada, propagada, e estar acessível. Buscam a imortalidade. Lembremos que imortalidade implica na perda de controle de nossa imagem.

Link para os textos

Prosa de Boteco – de Débora Costa e Silva (@dregola) – http://prosadeboteco.wordpress.com/2010/12/20/direito-autoral/

Fala, Michel -  de Michel Turtchin – http://colunistas.ig.com.br/falamichel/2011/01/07/as-novas-figurinhas-do-bbb/

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Autor

Daniel Ribeiro